Acerca de mim

A minha foto
Mulher... mãe.... avó Dona de 15 cães, 6 gatos e muitos sonhos! No momento vive alguns dilemas, mesmo encruzilhada, perguntando-se que caminho percorreu até aqui, que raio de futuro construiu, que se vê agora sozinha, sem trocar ideias com ninguém, escutando os noticiários na ânsia de ficar informada e assim se ligar com o real que parece acontecer somente fora de si

quinta-feira, 31 de março de 2011

AUSÊNCIA

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

                          Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 30 de março de 2011

Hoje será o dia.
 O dia em que repensará a sua vida,
colocará dúvidas sobre o que foi e será,
relançará esperanças no futuro,
sonhará com cavaleiros andantes,
lutará contra velhos moinhos

Hoje será o dia

O dia em que revisitará o rosto do amado
olhará cada sulco, cada ruga,
acariciará com o olhar os lábios fortes
e vibrará com saudades dos beijos adiados

Hoje será o dia

O dia em que dois corpos
serão dois corpos e não um....

Será mais um dia em que calará
o amor



sexta-feira, 25 de março de 2011

há dias assim...
... tudo nos maça, tudo nos cansa, o cinzento acompanha-nos passo a passo.

Depois, fazemos um esforço para nos lembrarmos dos dias de sol, dos risos sinceros, do cheiro do mar, de histórias de amor... e a coisa lá se leva.
  Neste caminhar de horas recordei uma história bonita contada por uma avó.
A minha avó Teresa.
 Contava-me ela, nas longas tardes ensolaradas que na minha opinião só existem no Alentejo, que uma rapariguinha, a Rita do Lino, ficou esperando pelo seu grande amor de juventude, toda a sua vida.  Ela até casou com outro homem, teve filhos e respeitou-o sempre.
Mas o sorriso brilhante que lhe conheceram quando namorara com aquele outro rapaz vindo de fora, contratado num rancho para a ceifa, esse sorriso nunca mais foi visto.
Contava a minha avó Teresa que eles bailavam muito bem, pareciam um só, quando ao som das concertinas no terreiro frente à igreja do Espírito Santo se faziam grandes bailes com toda a mocidade daquela altura. Dizia a minha avó sorrindo que eles até se beijavam só com o olhar ( confesso que na minha inocência de adolescente tentava imaginar como seriam aqueles olhares...)
No final do Verão, após as ceifas, ele partiu.
 As amigas viram-na chorar, emagrecer, ficar sem brilho.... Até desconfiaram que ela se lhe tinha entregue como mulher. Mas eram só desconfianças.
Todos lhe davam conselhos para que o esquecesse. A Rita do Lino respondia com silêncio. O silêncio de quem sofre as saudades de metade de si...
O pai arranjou-lhe o casamento com outro. Sim, porque naquele tempo rapariga que não casasse era um contrapeso à mesa das famílias.
O namoro durou alguns Invernos e outros tantos Verões, ela sempre arranjava forma de adiar.
Diz a minha avó que a viam no caminho da fonte, retendo o passo e olhando o infinito da estrada que tinha levado o seu amado. (...) Até mangavam com ela porque torna não volta desequilibrava o cântaro e entornava parte da água no rosto. Creio que  não se importaria muito, pois assim sempre disfarçava as lágrimas,...
... As longas tardes de férias de Verão eram passadas assim, entre histórias lentas e suavemente contadas, procurando não acordar os seres que aquele hora dormitavam vencidas pelo braseiro do sol...
... mas, a minha juventude não se vencia com uma história que acabava assim a caminho da fonte. E a pergunta surgia
Então avó e depois?
...ela sorria e continuava...
Ela casou. Eu ainda era cachopa mas fui ao casamento, mas não me lembro de quase nada , só das amêndoas que eram muito grandes. Teve duas filhas, o marido morreu cedo, partiu a ''espinha'' quando limpava oliveiras para os Palmeiro de Estremoz.
Neste dia em que nada me apetece, em que o cinzento me penetra lembrei esta história, pois década depois do Maltês ter deixado a sua amada  houve finalmente um final feliz...
... Contou-me o meu tio que Rita do Lino , já com mais de oitenta anos, voltou a casar com um namoro da juventude que encontrou no Lar de Dia em Sousel.
Pois então, a D.Rita vivia lá com uma das filhas e frequentava, por força das suas limitações fisicas. o lar de dia.
Entre rugas e conversas desfiando as juventudes de cada um, reencontrou um rosto que lhe fazia lembrar de novo o seu Maltês, num primeiro vislumbre pensou  que seria impossível. Aproximando-se suavemente,  com descrição e respeitosamente percebeu que se tinham reencontrado.
Perco-me nos meus pensamentos, imaginando o que terão sentido os dois, que terá acontecido, que terão dito...
Histórias lindas, simples, quase kármicas...
... e o sol brilha agora dentro de mim fazendo frente à chuva que teima em cair ....

quinta-feira, 24 de março de 2011

Nico....com saudade

Gatos
Gato dos quintais,

gato dos portões,
gato dos quartéis,
gato das pensões.

Vêm da Índia, da Pérsia,
de Ninive, Alexandria.
Vêm do lado da noite
do oiro e rosa do dia.

Gato das duquesas,
gato das meninas,
gato das viúvas,
gato das ruínas.

Gatos e gatos e gatos.
Arre, que já estamos fartos!
De Eugénio de Andrade, in Aquela nuvem e outras

New weather experience - YoWindow!

New weather experience - YoWindow!
eis os mais velhos dos meus goldens

...à procura de mim...

''Ando à procura de mim....''' dizia-me uma amiga há alguns anos, justificando com esta afirmação os inumeros namorados coloridos que ia coleccionando, de tal forma que alguns não chegaram a ser apresentados ao círculo de amigo.
Andava sempre brilhante, saltitante e alegre. Alguns chamavam-lhe frívola, eu achava que ela fazia bem em experimentar relações, em viver sensações, em dar '' beijinhos e chamegos'' a queme la muito bem entendesse.
Questionava de quando em vez como faria para memorizar tantos nomes.... Para mim seria uma tarefa enorme, com a minha conhecida dificuldade em nomes... algumas vezes sorri sozinha, imaginando que no calor da noite, a minha amiga - chamemos-lhe Nini- trocasse o nome algumas das suas paixões.
Num dia de confidências femininas, acabei por lhe perguntar... Com a simplicidade que a caracterizava Nini respondeu-me : '' Chamo a todos o mesmo ...''  . Como fazes isso??? - ''Ora bem, são todos queridos, amorzinho... fofinho...'' Só há uma dificuldade... é quando terminamos... aí tenho de fazer um esforço para não me enganar...

Nestes entardeceres em que revisito passados pergunto-me se a Nini já se terá encontrado....

Carlos Drummond de Andrade

O mundo é grande e cabe
Nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
Na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
No breve espaço de beijar.


Carlos Drummond de Andrade

Quem não tem namorado é alguém que tirou ferias de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro.
    Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, de lagrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, ate paixão e fácil. Mas namorado mesmo, é muito difícil.
    Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a que se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira; basta um olhar de compreensão ou mesmo aflição.
    Quem não tem namorado não é quem não tem amor: e quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, e dois amantes, mesmo assim poede não ter namorado.
    Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos de amor com a  felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
    Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metro, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete magico ou foguete interplanetário.
    Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d’agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
    Não tem namorado quem não tem musica secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
    Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
    Se você não tem namorado é porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilo e medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela.
    Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. Se você não tem namorado porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida passar e de repente parecer que tudo faz sentido: "Enlou-creca
Há fotos que são lugares comuns, sendo associadas a sentimentos...  tenho guardado esta foto, aparentamente banal ,mas que me lembra quem a enviou.
E faz-me sorrir.
 Colocada à imagem vinha uma pergunta: '' Achas que ele sente alguma coisa por mim? '' - perguntava uma amiga.
Mulher segura, excelente profissional, interventiva, actuante e no entanto tão insegura face aos sentimentos que a envolvessem de forma mais intima com alguém...
E, na sua escrita, ia justificando que era só um colega, se calhar até era para gozar com ela, por ela viver sozinha..
Invarialvelmente aconselhava a usufruir o momento sem complicar muito... e, no meu intimo, pensava que também eu deveria ter seguido esse conselho.
Uma foto, uma simples imagem, que gera sentimentos, dúvidas que nos obriga a repensar os nossos caminhos, as nossas opções, o que somos....
Por isso, considero a fotografia uma arte maior.
a fotografia cristaliza o momento... conserva os sentimentos... e grava a memória do quotidiano.

terça-feira, 22 de março de 2011

No dia mundial da poesia a minha homenagem a Natália Correia... injustamente esquecida


No coração da Ilha está um vaso
cheio de pérolas que p' ra mim sonhaste,
ó mãe completa da manhã ao acaso,
pastora dos meus sonhos, minha haste.


Parti pr' às Índias do meu estranho caso-
- ó danos que dos versos sois o engaste!-
e com maus fados se entendem ao acaso
lírios e feras do meu vão contraste.


Ave exausta, o retorno quem me dera,
vou no canto dos órfãos soletrando
o âmbar da manhã que ali me espera.


Feridas asas, enfim ali fechando
ao pasto e à onda me unirei sincera,
Ilha no manso azul de mãe esperando.

Os meus cães trabalhando com os alunos do 1º ciclo.
Uma forma dos alunos perderem o medo e descobrirem a doçura dos meus goldens

segunda-feira, 21 de março de 2011

Esta noite os meus cães estão algo agitados.... amanhã falo dos meus 11 cães
Grande responsabilidade ser dona

domingo, 20 de março de 2011

Dia glorioso de sol.... a luz inunda os campos cobertos de erva fresca, o orvalho reluz como diamantes nas pequenas teias de aranha... os melros em garnde afã saltitam procuramdo materiais para os ninhos.... algumas andorinhas voam alegremente no azul do ceu...
Seria um dia glorioso se o rádio não martelasse as noticias de uma Libia bombardeada, de inumeras mortes, de mais dor ...
Em certos momentos gostava de parar o tempo e enviar a harmonia que observo para todo o Universo...

sexta-feira, 18 de março de 2011

25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


                         Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 17 de março de 2011

Conheci um cão
Que falava
Que escutava
Que cantava
Que brincava
Que ladrava
Que fazia o pino
E que era um grande dançarino.

Que jogava à bola
Que perdia
Que ganhava.
Que estudava
E que andava
Comigo na escola.

E que tal?
Era ou não
Uma perfeição de cão?

Não acreditam?
Fazem mal.
Era um cão
De imaginação...

Maria Cândida Mendonça, O Livro do Faz-de-Conta
As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma  regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.

                      Eugénio de Andrade
José Gomes Ferreira



Chove...
Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?
Chove...
Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

Gosto tanto deste poeta, da sua poesia, umas vezes curta e sintética como este poema,
A tarde está fria, cinzenta, uma triste neblina cobre as serranias em redor. Apetece de novo o quentinho da casa, voltamos a pensar em casacos e cachecóis.
Quero sol !
Não quero dias como eu....  preciso de recarregar as baterias da energia e da esperança em raios de sol filtrados através de olhos semi-cerrados...
medo....
Neste anoitecer em que a chuva promete ainda fazer-nos uma visita lembrei-me da sua poesia

Preciso de entardecer embrulhados em poeira de luz , preciso de manhã brilhantes e gloriosas...
Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
''Bom dia sebenta...'' era assim que escrevia na sebenta de liceu, em manhãs chatas, de aulas de matemática ou Física. Ainda hoje me questiono porque teríamos sempre matemática, alternando com físico-química,  ao primeiro tempo.
Dois professores homens, aliás os únicos homens, pois as meninas tinham senhoras como professoras. Eram chatos, cinzentos, brancos nas suas batas, austeros nos seus rostos, secos e sem graça na  linguagem. No liceu tive sempre o mesmo professor de matemática... dele só recordo a alcunha '' sr. cágado'' por causa dos óculos com armação cor de tartaruga.... Sempre pensei que era uma nulidade para o cálculo, para a álgebra, o sr. cágado sempre me transmitiu isso. E, invarialvelmente transitei de ano à ''rasquinha'' . Anos mais tarde, ao apoiar alunos com dificuldade em matemática, descobri que até sabia umas coisas, ficava mesmo admirada com as minhas capacidades e ria-me de mim, e dos anos em que transportei a mágoa de ser , literalmente, um zero à esquerda.
'' xi-coração Sebenta'' . assim acabavam algumas das páginas

Sebenta-de-liceu

Procurarei que este espaço seja como as minhas velhinhas sebentas do tempo de liceu. Onde tudo escrevia, riscava, garatujava, desenhava... sebentas que revistas no hoje, mostram a adolescente que fui, os sonhos que transportei, os medos que vivi, os desânimos e as euforias.
Falarei aqui do meu quotidiano, dos meus cães, dos meus gatos, e miarei as minhas tristezas, uivarei pelas minha utopias e partilharei neste mundo do ciber espaço, onde o anonimato é optimo, tudo o que desejo, penso, contesto, sofro e usufruo.
Ninguém me irá ler... e, isso´até que não é mau. É como reviver o Diário que escrevi no principio da idade adulta e que ocultava ferosmente de todos.
Os animais, principalmente fotos dos meus cães, serão uma constante.
Preciso escrever, preciso partilhar esta inquietação que me invade, esta mal estar, esta incerteza pelas escolhas feitas