O dia de trabalho chegou ao fim. Doem-me as mãos. Olho-as. Quase não as reconheço ...
Mãos que pegam em pás, vassouras, tesouras, shampoos, secadores... penteiam e desabaraçam pelagens.
Mãos que ajudaram a nascer mais de meia centena de cachorrinhos.
Mãos que ansiosamente massajaram pequeninos corpos para lhes trazer vida.
Mãos que afagaram cadelas ofegantes, doridas e exaustas.
Mãos que sentiram secar entre os dedos os liquidos primordiais da Vida.
Mãos que afagaram cadelas ofegantes, doridas e exaustas.
Mãos que sentiram secar entre os dedos os liquidos primordiais da Vida.
Mãos que sabem o calor de uma placenta.
Mãos que esqueceram a escrita.
Mãos que descobriram a textura da terra, o frio da geada, o calor do humus, a dor da picada de urtigas.
Mãos que esqueceram a delicadeza da agulha de crochet, da seda de bordar.
Mãos que secam lágrimas de tristeza, mas também de alegria.
Mãos que se adoram ser lambidas e mordiscadas.
Mãos que colhem ramos de alecrim e alfazema.
Mãos...
... as minhas.


Sem comentários:
Enviar um comentário