Vamos lá então falar de violência doméstica....
Tema complexo, multifacetado, escondido, clandestino.... e que assume diversas formas entre a violência física, a opressão e repressão emocional... Isto todos sabemos....
Só que o processo de opressão é lento... Nunca se sabe quando foi a primeira vez que perdoámos e não o deveríamos ter feito... Vamos perdoando, procurando esquecer, embrulhando a dor e humilhação nas escassas situações de bem-estar ou mesmo de sexo.... vamos colocando a nossa auto-estima nos becos escondidos do nosso eu....
Vamos pintando sorrisos no rosto que amanhece sempre duro, vamos perdendo a graciosidade dos gestos, não nos apetece vestir mas enfiamos roupa sem jeito....
Vamos investindo em outros aspectos da nossa vida.... na profissão, por exemplo....
Escondemos as marcas do corpo com lenços, calças, mangas compridas em dias de calor estival...
As marcas da alma essas permanecem ao longo da vida ...
.... e o silêncio invade-nos....
.... e a solidão........ essa passa a ser a nossa companhia permanente
........e, as lágrimas correm-na nas longas madrugadas em que queríamos ser outros... queríamos fugir ... queríamos morrer..........
Depois percepcionamos e compreendemos poro a poro o que significa '' alienada '' -
... Alienada - porque te recusas a aceitar que seja a ti, logo a ti, que gritas tão alto pelos direitos das mulheres... Alienada - porque recusas ver que já não és amada .. Alienada - porque nos dias mais dolorosos, em que choras sózinha no chão frio, aninhada como um animal ferido, ainda assim... repetes . '' Ele vai mudar''' Alienada - porque achas que se calhar a culpa é tua , recusaste o sexo no tal dia, não engomaste a camisa e nem sempre fazes o jantar ou os petiscos que ele gosta........
E, vais flutuando entre os dias, fingindo lado a lado várias vidas........
Tens medo dos fins de semana, passas a detestar o Natal, a Páscoa, as férias de Verão..........porque significam mais tempo junto ao outro, ao agressor.... E, vais-te tornando amarga, azeda, ácida... as rugas invadem o rosto.... recusas olhar o espelho... os cabelos enbranquecem... mas nada importa porque não há futuro....
... depois, se tiveres sorte, talvez um dia se rasgue o medo que transportas aguilhotinado no peito.... com sorte um dia perdes o medo da morte.... com sorte a vida fala mais alto dentro de ti..... e... foges.

Sem comentários:
Enviar um comentário