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Mulher... mãe.... avó Dona de 15 cães, 6 gatos e muitos sonhos! No momento vive alguns dilemas, mesmo encruzilhada, perguntando-se que caminho percorreu até aqui, que raio de futuro construiu, que se vê agora sozinha, sem trocar ideias com ninguém, escutando os noticiários na ânsia de ficar informada e assim se ligar com o real que parece acontecer somente fora de si

domingo, 10 de abril de 2011

memórias

  
Se fechar os olhos oiço os sons da cidade a acordar, o piar das gaivotas, o apito dos barcos no Tejo, o murmurar suave dos ensonados e o silêncio de alguns ainda mergulhados nos sonhos da noite.

   Por aqui o dia acorda de maneira diferente, o abraço da serra, o seu véu de neblina, o sol timido que se espalha pelos vales. Os sentimentos  perante a beleza e o novo dia, são idênticos, as manifestações, os gestos e as formas de expressão é que diferem.
   O cheiro do café matinal, o barulho do vapor das máquinas cimbalinas, o bolo que se come apressadamente, o bom dia que não se dá ao vizinho é algo que não existe na pacatez matinal de aldeia.
 Por aqui os locais de trabalho, ou são muito perto, ou obrigam a viagens de carro,  transportes públicos eficientes ainda são um desejo não concretizado.
   Contudo, e isto não confesso quem me disse,aqui como na cidade, a descoberta nocturna dos amantes acontece, os corpos são invadidos pela paixão, as promessas de amor concretizadas. O amanhecer nem sempre valida a doçura sonhada e vivida com olhos semi-cerrados pela penumbra difusa da noite mas o sorriso fica mais luminoso.
    O real é consequência do que nos rodeia, aprendi isto com esta opção de viver fora da cidade.
 Isso constrói os homens e as mulheres transformando-lhes até as palavras, as frases e os gestos, mas não os sentimentos.
Tudo por aqui é mais lento, tudo adquire dimensões diferentes. Talvez a serra com a sua imortalidade, a sua sombra e beleza, os seu poderes mágicos seja a culpada,  pelos  gestos contidos mas determinados destas gentes.
 Falando de magia que os lugares nos transmitem, lembro o prazer que sentia na infância quando em passo de corrida subia a um monte, perto de minha casa ,onde chegava ofegante e, para descansar me sentava numa pedra, a brisa maritima batendo-me na cara e ficava a olhar os campos que se estendiam até ao mar.
Era uma sensação deliciosa. Só tinha pena de não poder voar. Semi-cerrava os olhos e deixava-me cegar pela luz do sol reflectida nas águas do Tejo e fantasiava sobre quem viveria no farol do Bugio.
Ainda hoje me é difícil explicar o porquê desse fascínio, dessa necessidade de me sentir só envolvida por uma multidão, que sabia existir mas que não estava presente.
 Hoje é um pouco o que sinto quando olho as encostas, as neblinas que delas se levantam, o mistério que tudo isso envolve.... e sonho de novo....



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