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Mulher... mãe.... avó Dona de 15 cães, 6 gatos e muitos sonhos! No momento vive alguns dilemas, mesmo encruzilhada, perguntando-se que caminho percorreu até aqui, que raio de futuro construiu, que se vê agora sozinha, sem trocar ideias com ninguém, escutando os noticiários na ânsia de ficar informada e assim se ligar com o real que parece acontecer somente fora de si

domingo, 3 de abril de 2011

entardecer

Teresa mexia, como quem acariciava, um raminho de heras.
Alguém um dia ´contou-lhe que a hera era o símbolo do amor ... pensava em tudo isso, sentada num banco no Parque Verde da vila,  enquanto lembrava os acontecimentos do dia.
A macieza das folhas da hera, a forma de coração de cada uma delas fazia-a sentir ainda mais saudades do seu amigo.

Na escola, e com a armadilha armada contra o professor Felício, tinham-se resolvido alguns dos problemas e medos. Medos gigantescos que atormentavam as meninas violentadas pelas asquerosas mãos do professor, que procuravam erotismo em corpos inocentes.
Homens cobardes sem coragem de assumir a sua sexualidade perante figuras femininas adultas.
Na caixa de textos passada de sala em sala, onde as crianças relatavam o medo e a coragem, tinham aparecido algumas redacções onde o nome de Felício era citado como o causador de angústias e receios. A abertura da caixa frente à maioria dos docentes, impediu que houvesse a negação daquilo que estava a ser constatado por todos.
A fuga do professor foi interrompida quando descobriu que o seu carro tinha os pneus vazios e que a rua estava barrada por um burro e uma mota. Obra certamente de Estivas. Isa não o tinha descortinado, mas só ele para pedir ajuda a duas figuras tão sui-generis, do todo que era a vila.
Depois de chamada a GNR foi levado para prestar declarações. Nos próximos tempos não apareceria com toda a certeza na escola, se é que depois da instauração do procedimento disciplinar, ainda lhe permitissem voltar ao ensino.
Teresa sentia-se serena, sem medo, segura de que tinha procedido da melhor forma. Mas neste momento o  que mais desejava era o carinho de Carlos. Os seus braços, o calor do seu corpo, a sua respiração junto à nuca, as mãos unidas .... Sonhava com o próximo Domingo, pois tinham prometido a Margarida irem até à beira-mar para lançarem um papagaio.
Precisava destes momentos a sós.
De um modo muito rápido o seu quotidiano tinha sido docemente invadido pela pequenita Margarida, que com a sua alegria preenchia todos os recantos da casa, por Carlos a quem comprara uma escova de dentes, embora ainda não pendurasse a roupa no mesmo roupeiro. Ainda havia Rodrigo a quem sentia como um sobrinho e que a preenchia e ajudava a descobrir o mundo dos adolescentes, tão cheios de certezas, de necessidade de mostrarem que já têm asas para voar e ao mesmo tempo ainda tão dependentes dos adultos.

As nervuras da hera, o verde claro escuro da folhas, as minúsculas raízes, o cheiro agradabilíssimo da tília, o canto vespertino dos rouxinois, tudo a enchia de nostalgia.

Tinha que endireitar as costas, respirar fundo, olhar o horizonte e decidir-se a voltar ao mundo real, onde a esperavam aqueles a quem amava.
Olhou o telemóvel para ver as horas e reparou que tinha uma mensagem : '' Pequenita, tenho uma reunião. Não sei a que horas acaba... um beijo Carlos''
Logo hoje? Que desejava tanto o calor do seu abraço, o aroma da sua pele. 


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